quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

HISTORIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA

 Apresentação

 Ö Nesta unidade visitaremos os principais eventos históricos  ligados ao nascimento e desenvolvimento da educação física, como área de conhecimento . Verificaremos que muitas crenças e valores ligadas à
prática desportiva e de exercícios físicos encontram suas raízes em momentos históricos específicos. A partir deste conhecimento é possível analisar de forma crítica a maneira como um professor planeja, organiza e dinamiza sua prática.

Conhecendo a história é possível contextualizar uma determinada prática pedagógica e situa-la na linha evolucionária da disciplina. Isso não nos permitirá julgar se uma prática está certa ou errada, mas nos dará argumentos para afirmar se ela está  desatualiza ou aplicada fora de contexto.

Ao término do estudo deste conteúdo, você deverá ser capaz de:
• Entender que a educação física como conhecimento foi historicamente construída;
• Saber que a prática pedagógica dentro da educação física teve uma evolução;
• Entender que o processo de construção do conhecimento dentro da educação física
não é linear: passou por diversas fases e continuará em permanente evolução.

1. O Começo: Definições
Tudo começou quando o homem primitivo sentiu necessidade de:
• LUTAR;
• CONQUISTAR;
• FUGIR;
• CAÇAR PARA SOBREVIVÊNCIA.

Assim executa os seus movimentos corporais mais básicos e naturais desde
que se colocou de pé:
CORRER – SALTAR – ARREMESSAR – TREPAR – EMPURRAR – PUXAR – NADAR

DEFINIÇÕES:

• HISTÓRIA: relatos de acontecimentos, podendo ser imaginário e/ou real.
• EDUCAÇÃO: ato de aprendizagem de algo por meio de... Educar por meio de...
• FÍSICA: em relação ao físico. Estudo do corpo em toda a sua dimensão.

ENTÃO, O QUE É?

Educar o físico – EDUCAÇÃO FÍSICA

Mas, o que é ATIVIDADE FÍSICA?
É todo o movimento corporal voluntário humano, que resulte, num gasto
energético acima dos níveis de repouso.
No âmbito da Intervenção do Profissional de Educação Física, compreende a
totalidade de movimentos corporais, executados através de Exercícios Físicos no
contexto de diversas práticas, como: Ginástica, Lutas, Capoeira, Artes Marciais, Ioga e
etc.

E o que é EXERCÍCIO FÍSICO?
• Seqüência sistematizada de movimentos de diferentes segmentos corporais,
executados de forma planejada, segundo um determinado objetivo a atingir inclusive
para o Esporte.
• Uma das formas de atividade física planejada, estruturada, repetitiva, que
objetiva o desenvolvimento da aptidão física, do condicionamento físico, de
habilidades motoras ou reabilitação orgânico-funcional, definida de acordo com
diagnóstico de necessidades ou carências específicas de seus praticantes, em contextos sociais diferenciados.

Então, o que é ESPORTE ou DESPORTO?
Atividade competitiva, institucionalizada, realizada conforme técnicas,
habilidades e objetivos definidos pelas modalidades desportivas, determinada por
regras pré-estabelecidas que lhe dá forma, significado e identidade, podendo também,
ser praticado com liberdade e finalidade lúdica estabelecida por seus praticantes,
realizado em ambiente diferenciado, inclusive na natureza (jogos: da natureza, radicais,
de orientação, de aventuras e outros). A Atividade Esportiva aplica-se ainda, na
promoção da saúde e em âmbito Educacional de acordo com diagnóstico e/ou
conhecimento especializado, em complementação a interesses voluntários e/ou
organização comunitária de indivíduos e grupos não especializados.

Portanto, o que é EDUCAÇÃO FÍSICA?
• O conjunto das atividades físicas e desportivas;
• O comportamento curricular obrigatório em todos os níveis e modalidades
do ensino básico;
• Área de estudo e/ou disciplina no ensino superior;
• O corpo de conhecimento, entendido como o conjunto de conceitos,
teorias e procedimentos empregados para elucidar problemas teóricos e práticos, relacionados à esfera profissional e ao empreendimento científico, na área específica das atividades físicas, desportivas e similares.

AGORA QUE JÁ SABEMOS BEM O QUE É...
Atividade Física, Exercício Físico e Educação Física,

Vamos à:
2 . História da educação física no mundo

CHINA: Como educação física as origens mais remotas da história falam de
3000 a.C. Certo imperador guerreiro, HOANG TI, pensando no progresso do seu povo
pregava os exercícios físicos com finalidades higiênicas e terapêuticas, além do caráter
guerreiro.

ÍNDIA: No começo do primeiro milênio, os exercícios físicos eram tidos como
uma doutrina por causa das “LEIS DE MANU” uma espécie de código civil, político,
social e religioso. Eram indispensáveis às necessidades militares além do caráter
fisiológico.
Buda atribuía aos exercícios o caminho da energia física, pureza dos
sentimentos, bondade e conhecimento das ciências para a suprema felicidade do
Nirvana (no budismo, estado de ausência total de sofrimento).

A EDUCAÇÃO MILITAR NO ORIENTE
Objetivo: a defesa marcial dos Nobres e seus Reinos.
Alguns pesquisadores afirmam o nome de “Bodhidharma”, (28º Patriarca do
Budismo, Príncipe do Sul da Índia), como tendo sido o mais distante que conseguiram
chegar buscando a origem (com registros) das Artes Marciais, ou de boa parte delas.

Suas práticas estão associadas à “Ioga” e à “escola Shaolin de Artes Marciais”.
O Estilo de luta de Bodhidharma era o “Vajramushti”, comum no currículo de
formação militar de membros das altas “castas hindus”.
VAJRA = Sol, Real, Bastão, Cetro, etc.
MUSHTI = Soco, Punho, Golpe de punho, etc.
“VAJRAMUSHTI” = Pode ser, portanto, “Punho Real”, “Punho do Sol”,
“Golpe de Punho Real” e etc.

O PRINCIPIO BÉLICO PARALELO AO PRINCÍPIO DE SAÚDE
Bodhidharma viajou à china, em torno de 525 d.C., a pé, para tentar recuperar aos dogmas ancestrais o Budismo chinês. No Reino de Wei, finalmente foi acolhido e se instalou no templo Shaolin, onde os Monges se dedicavam exclusivamente à meditação e tinham um “estado físico” totalmente depreciado.
Bodhidharma pregava a união do corpo com o espírito e ensinava o que acreditava ser ideal para saúde: os “18 movimentos básicos” do Vajramushti, afirmando que “... a união do corpo com a alma é indivisível, para chegarmos à verdade, ao equilíbrio e à paz interior...”.
Mas tarde surgiram os estilos de Kung fu e o Kempo, que alguns chamam de Karatê Chinês.
A Ioga tem suas origens nesta mesma época (princípio do 1º milênio, no séc. II a.C.), retratando os exercícios ginásticos no livro “YAJUR VEDA” que além de um aprofundamento da Medicina, ensinava manobras massoterápicas e técnicas de respirar.

JAPÃO: a história do desenvolvimento das civilizações sempre esbarra na importância da à Educação Física, quase sempre ligados aos fundamentos médico-higiênicos, fisiológicos, morais, religiosos e guerreiros.

A civilização japonesa também tem sua história ligada ao mar devido à posição geográfica, (embarcações, remos, vela...), além das práticas guerreiras feudais: OS SAMURAIS.

EVOLUÇÃO NATURAL DAS ARTES MARCIAIS
Vários estudos falam da origem das Artes Marciais de forma um pouco diversa, mas bem próximas, pode-se conceituar, só como exemplo, na origem do Karatê-dô, (o caminho das mãos vazias), que o Okinawa-te seria o ancestral mais próximo, tendo este último surgido a partir de estilos que se originaram do Kempo, que por sua vez é originado a partir do “Kung fu”.

Certo mesmo, é que o nosso respeitado exemplo é historicamente, mais recente do que o “Kung fu” ou o “Ju Jutsu”, pois foi no arquipélogo de Okinawa, entre os séculos 17 e 18 d.C. que nasceu o karatê-dô.
Da Guerra ao Esporte, mas sempre caracterizado como atividade física!
Do território Indiano, ao Chinês, indo ao Japonês, as lutas foram usadas com conceito bélico, Dinastias, guerreavam e os perdedores se refugiavam nos templos, acrescendo o uso de armas e técnicas bélicas novas, ao uso do corpo como arma e defesa, mas também para a manutenção do físico e elevação do espírito. Os estilos foram variando através da observação de animais, o tigre, a garça, a cobra e etc. Além
de estar pronto para defender-se e ao País, os praticantes passavam a ter melhor saúde, conforme o encontrado em escritos da época.
Saltemos na História e no tempo, para mostrar a evolução da arte marcial ao ESPORTE, mantendo o exemplo no Karatê-Dô:
• Em 1957, foi realizado o primeiro campeonato esportivo no Japão. E em 1987, é
fundada a Confederação Brasileira de Karatê, já em 1999 o Karatê é reconhecido
como Modalidade Esportiva Olímpica.

VOLTEMOS, AGORA, ÀS LOCALIZAÇÕES HISTÓRICAS, MIGRANDO
AO OCIDENTE.

EGITO: dentre os costumes egípcios estavam os exercícios Gímnicos revelados nas pinturas das paredes das tumbas.
A ginástica egípcia já valorizava o que se conhece hoje como qualidades físicas tais como: equilíbrio, força, flexibilidade e resistência. Já usavam rudimentos de materiais de apoio tais como tronco de árvores, pesos
e lanças.

GRÉCIA: civilização que mais marcou e desenvolveu a Educação Física. Nomes como Sócrates, Platão, Aristóteles e Hipócrates contribuíram e muito para a Educação Física e Pedagogia, atribuindo conceitos até hoje aceitos na ligação corpo e alma através das atividades corporais e da música.
“Na música a simplicidade torna a alma sábia; na ginástica dá saúde ao corpo” (SÓCRATES).
É de Platão o conceito de equilíbrio do corpo e espírito ou mente.
Os sistemas metodizados e em grupo, assim como os termos halteres, atleta, ginástica, pentatlo entre outros, são uma herança grega. As atividades sociais e físicas eram praticados até à velhice, lotando os estádios
destinados a isso.

ROMA: a derrota militar da Grécia para Roma, não impediu a invasão cultural grega nos romanos, que combatiam a nudez da ginástica. Sendo assim, a atividade física antes destinada às práticas militares, passa a ter motivação cultural e para o lazer.

A célebre frase “MENS SANA IN CORPORE SANO”, de Juvenal, vem desse
período romano.

IDADE MÉDIA: a queda do império romano também foi muito negativo pra a Educação Física, principalmente com a ascensão do Cristianismo que perdurou por toda a Idade Média.
O culto ao corpo era um verdadeiro pecado sendo por isso a idade média também chamada por alguns autores de “IDADE DAS TREVAS”.

A RENASCENÇA: como homem sempre teve interesse no seu próprio corpo, o período da Renascença fez explodir novamente a cultura física, as artes, a música, a ciência e a literatura.  A beleza do corpo, antes pecaminosa, é novamente explorada surgindo grandes artistas como Leonardo da Vinci (1452-1519), responsável pela criação, utilizada até hoje, das regras proporcionais do corpo humano.
Consta desse período o estudo da anatomia e a escultura de estátuas famosas como, por exemplo, a de Davi, esculpida por Michelângio Buonarroti (1475-1564). Considerada tão perfeita que os músculos parecem ter movimento. A dissecação dos cadáveres humanos deu origem à Anatomia e escritos como a obra clássica “De Humani Corporis Fábrica” de Andrea Vesalius (1514-1564).
A introdução da Educação Física na escola, no mesmo nível das disciplinas tidas
como intelectuais, se deve nesse período a Vittorino R. da Feltre (1378-1466) que, em 1423, fundou a escola “LA CASA GIOCOSA” onde o conteúdo programático incluía os exercícios físicos.

ILUMINISMO: o movimento contra o abuso do poder no campo social chamado de iluminismo surgido na Inglaterra no século XVII deu origem a novas idéias. Jean-Jaques Rousseau propôs a Educação Física como necessária à educação infantil. Ao mesmo tempo, Pestalozzi foi precursor da escola primária popular e sua atenção estava focada na execução correta dos exercícios.

IDADE CONTEMPORÂNEA: a influência na nossa ginástica localizada começa  a se desenvolver na Idade Contemporânea, onde quatro grandes escolas foram as responsáveis por isso: a alemã, a nórdica, a francesa e a inglesa.

A ESCOLA ALEMÃ, influenciada por Rousseau e Pestalozzi, teve como destaque Jhann Cristoph Friederick Guts Muths (1759-1839) considerado pai da  GINÁSTICA PEDAGÓGICA MODERNA.
A derrota dos alemães para Napoleão deu origem a outra ginástica. A Turnknst,  criada por Friederick Ludwig Jahn (1788-1849) cujo fundamento era a força. “Vive Quem é Forte”, era seu lema e nada tinha a ver com a escola. Foi ele quem inventou a BARRA FIXA, AS BARRAS PARALELAS E O CAVALO, dando origem à Ginástica Olímpica.
A escola voltou a ter seu defensor com Adolph Spiess (1810-1858) introduzindo definitivamente a Educação Física nas escolas alemãs, sendo inclusive um dos primeiros defensores da ginástica feminina.

A ESCOLA NÓRDICA escreve a sua história através de Nachtegall (1777-1847) que fundou seu próprio instituto de ginástica e o Instituto Civil de Ginástica para formação de professores de educação física (1808).
Por mais que um profissional de Educação Física seja desligado da história, pelo menos algum dia já ouviu falar em ginástica sueca, um grande trampolim para tudo o que se conhece hoje como ginástica.
Per Henrick Ling (1766-1839) foi o responsável por isso, levando para a Suécia as idéias de Guts Muths após contato com o instituto de Nachtegall. Ling dividiu sua ginástica em quatro partes: a pedagogia – voltada para a saúde evitando vícios posturais e doenças, a militar – incluindo o tiro e a esgrima, a médica – baseada na pedagogia, evitando também as doenças e visando ainda a estética – preocupada com
a graça do corpo.


• A ESCOLA FRANCESA teve como elemento principal o espanhol naturalizado Francisco Amoros Y Ondeano (1770-1848). Inspirado em Rabelais, Guts, Jahn e Pestalozzi, dividiu sua ginástica em: CIVIL e INDUSTRIAL, MILITAR, MÉDICA e CIÊNCIA.
Outro nome francês importante foi G. Dêmy (1850-1917). Organizou congresso, cursos (inclusive o Superior de Educação Física), redigiu o Manual do Exército e também era adepto da ginástica lenta, gradual, progressiva, pedagógica, interessante e motivadora.

O MÉTODO NATURAL foi defendido por Georges Herbert (1875-1957): CORRER, TREPAR, NADAR, SALTAR, EMPURRAR, PUXAR e etc.

A nossa Educação Física a brasileira teve grande influência na Ginástica  Calistênica criada em 1829 na França por Phoktior Heinrich Clias (1782-1854)

ESCOLA INGLESA: baseava-se nos jogos e nos esportes tendo como principal defensor Thomas Arnold (1795-1842) embora não fosse o criador. Essa escola também ainda teve a influência de Phoktior H. Clias, no treinamento militar.

Agora, parando um pouco a história: O que é Calistenia?
• É, por assim dizer, o verdadeiro marco do desenvolvimento da ginástica moderna com fundamentos específicos e abrangentes destinada à população mais necessitada: os obesos, as crianças, os sedentários, os idosos e também às mulheres.
• Calistenia, segundo Marinho (1980) vem do grego KALLOS (BELO), STHENOS
(FORÇA) e mais o sufixo “ia”.
• Com a origem na ginástica sueca, apresenta-se com uma divisão de oito grupos de exercícios localizados associando a música ao ritmo aos exercícios que são feitos à mão livre usando pequenos acessórios para fins corretivos, fisiológicos e pedagógicos.

• Os responsáveis pela fixação da Calistenia foram o Dr. Dio Lewis e a (A.C.M.) Associação Cristã de Moços com proposta inicial de melhorar a forma física dos americanos que mais precisavam.
• Por isso, deveria ser uma ginástica simples, fundamentada na ciência e cativante. Em função disso o Dr. Lewis era contra os métodos militares sob alegação que os mesmos desenvolviam somente a parte superior do corpo e os esporte atléticos não proporcionavam harmonia muscular.
• Em 1860, a Calistenia foi introduzida nas escolas americanas.
• Apareceu o Dr. Willian Skarstrotron, americano de origem sueca, dividiu a Calistenia em oito grupos diferentes do original: braços e pernas, região póstero superior do tronco, póstero inferior do tronco, laterais do tronco, equilíbrio, abdomên, ombros e escápulas, os saltitos e as corridas.

• No Brasil, anos 60, a calistenia foi implantada em poucas academias pelos professores da ACM ganhando cada vez mais adeptos nos anos 70 sempre com inovações fundamentadas na ciência.
• Nos anos 80 a ginástica aeróbica invadiu as academias do Rio de Janeiro e São aulo abafando um pouco a calistenia.
• No final dos anos 80, a ginástica localizada surge e é desenvolvida com fundamentos teóricos dos métodos da musculação e o que ficou de bom da Calistenia.
• A ginástica aeróbica de alto impacto, causou muito microtraumatismos por causa  dos saltitos em ritmos musicais quase alucinantes.
• A musculação surgiu com uma roupagem nova ainda nos anos 70, para apagar o preconceito que algumas pessoas tinham com relação ao Halterofilismo.
• Hoje, há quem defenda, que sob pretexto da criatividade, a ginástica localizada passa por uma fase ruim com alguns professores ministrando aleatoriamente, aulas sem fundamentos específicos com repetições exagerada, fato que a ciência já reprovou, se o público alvo for o cidadão comum.

A Educação Física no Brasil

OS ÍNDIOS: No Brasil colônia, os primeiros habitantes, os índios, deram pouca  contribuição à educação física, a não ser os movimentos rústicos naturais tais como nadar, correr atrás da caça e o arco-e-flecha.
Nas suas tradições incluem-se as danças, cada uma com significado diferente: homenageando o sol, a lua, os Deuses da guerra e da paz, os casamentos etc.

Entre os jogos incluem-se as lutas, a peteca, a corrida de troncos entre outras que não foram absorvidas pelos colonizadores.
Sabe-se ainda que os colonizadores achavam que os índios não eram muito fortes e não se adaptavam ao trabalho escravo.

OS NEGROS E A CAPOEIRA: sabe-se que os negros africanos foram trazidos
para o Brasil para o trabalho escravo e que as fugas para os Quilombos os obrigaram a
lutar sem armas contra os capitães-do-mato, homens a mando dos senhores de
engenho que entravam mato adentro para recapturar os escravos.
Nestes embates, instintivamente, os escravos descobriram ser o próprio corpo
uma arma poderosa e o elemento surpresa durante a luta. A inspiração para a criação
da capoeira veio da observação da briga dos animais e das raízes culturais africanas.

O nome capoeira veio do mato onde os escravos se entrincheiravam para treinar, em pequenas clareiras. "Um estranho jogo de corpo dos escravos desferindo coices e marradas, como se fossem verdadeiros animais indomáveis": são algumas das citações de capitães-do-mato e comandantes de expedições descritas nos poucos alfarrábios que restaram. Rui Barbosa mandou queimar tudo relacionado à escravidão.

O BRASIL IMPÉRIO: O ano de 1834, se constitui no marco inicial da formação em Educação física no Brasil, pois o primeiro Brasileiro, de um grupo que totalizou três dezenas, ao longo de quase um século, ingressou no “Philantropinium” sede da Alemanha, onde ensinavam os “grandes Mestres da Educação Física da época”.

• Em 1851 o Governo Imperial, através da lei n 630 de 17/09 inclui a ginástica no
ensino das escolas primárias.
• 1876 surge uma medida legal referida explicitamente à formação de professores: o Decreto n° 6370 que introduziu no município da Corte (Rio de Janeiro), em suas duas Escolas Normais, o ensino de ginástica e de princípios gerais da Educação Física.
• Embora Rui Barbosa não quisesse que o povo soubesse da história dos negros, preconizava a obrigatoriedade da Educação Física nas escolas primárias e secundárias praticada 4 vezes por semana durante 30 minutos.
• Em 1882, o Deputado Ruy Barbosa, na qualidade de relator, apresentou à Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro, em sessão realizada em 12 de setembro, a “Reforma do Ensino Primário e Várias Instituições Complementares da Instrução Pública”. O Parecer e o Projeto foram obras da Comissão de Instrução Pública, composta pelos Deputados Ruy Barbosa, Thomas do Bonfim Espínola e Ulysses
Machado Pereira Viana. O capítulo que tratava da Educação Física enfatizava que “a comissão desejaria propor-vos a fundação de uma escola normal de ginástica, na qual se formassem professores para as escolas deste município e para as províncias que o solicitassem. Limitou-se, porém, a instituir, em cada escola normal, uma seção especialmente consagrada a esse ensino”. O Projeto ainda previa: a obrigatoriedade da ginástica na formação dos professores e professoras; a inclusão, nos programas
escolares, da ginástica como matéria de estudo; a equiparação dos professores de ginástica aos de outras disciplinas.

O BRASIL REPÚBLICA: Em 21 de setembro de 1905, o Deputado Jorge de Morais, representante do Estado do Amazonas, apresentou, na Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro, o seu projeto sobre Educação Física. O projeto definia: “O Congresso Nacional resolve: Art. 1°. Ficam criadas duas escolas de Educação Física, sendo uma militar e outra civil. Art. 2°. Fica o poder executivo autorizado a
adquirir terrenos para que a mocidade das escolas superiores possa, em espaços apropriados, dar-se à prática dos jogos ao ar livre.” Com referência à escola civil, segundo a proposta de sua criação, “fornecerá os professores de Educação Física para todos os colégios existentes no País”, e enfatizava: “o professor de ginástica necessita de uma soma regular de conhecimentos que só um curso bem organizado pode
fornecer.” E, entre esses conhecimentos, citava “a anatomia, a fisiologia, princípios gerais de higiene, a história e evolução da Educação Física”, além de outros necessários ao fim a ser atingido.
• 1906 - 1939 Nos primeiros meses de 1906 chegou a São Paulo uma Missão Militar, contratada na França para instruir e reorganizar a Força Pública do Estado de São Paulo. Entre os integrantes da Missão, os capitães Delphim Balanciér e Louis Lemaitre eram especialistas em Educação Física. A Missão Militar propôs a criação de um órgão para habilitar mestres e monitores de Ginástica e Esgrima, envolvendo
oficiais e sargentos.
• Em 3 de março de 1910, o Secretário da Justiça e da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Washington Luis Pereira de Souza, enviou ao Comandante Geral da Força Pública o expediente que versava “fica criado, nessa corporação, um Curso de Esgrima e Ginástica, destinado aos oficiais e elementos da Força Pública, devendo ser tomadas as providências para a instalação de respectivo aparelhamento em sala adrede preparada”. A Seção de Educação Física da Força Pública do Estado de São Paulo, no ano de 1914, passou a denominar-se Escola de Educação Física, segundo consta do Relatório Interno do Batalhão Escola.
• Em 11 de janeiro de 1930, o Ministro da Guerra, Nestor Sezefredo dos Passos, baixou Instruções com o fim de organizar o Centro Militar de Educação Física, em substituição a um Curso Provisório que havia sido realizado em 1929. O Centro era destinado aos oficiais subalternos e aos sargentos, para preparar Instrutores e Monitores de Educação Física, assim como “difundir, unificar e intensificar o ensino
da Educação Física no Exército”. Poderiam participar dos Cursos do Centro Militar de Educação Física “oficiais e sargentos das forças auxiliares, professores federais, estaduais ou municipais e civis”. Ficou o Centro instalado na Fortaleza de São João, na Urca. Os Cursos seriam realizados duas vezes no ano, com cinco meses de duração, cada Curso. Em 1931 foi o Centro desligado da Fortaleza de São João,
tornando-se autônomo, passando à direção do Major Newton de Andrade Cavalcanti.
• Em 28 de maio de 1936, por Decreto do Governo do Estado de São Paulo, foi a Escola de Educação Física regulamentada, com o fim de formar Instrutores e Monitores de Educação Física Geral e Desportiva; formar Mestres de Armas e Monitores de Esgrima; proporcionar, aos médicos, conhecimentos especializados em Educação Física e formar Massagistas Desportivos. Em 1939, vários artigos do
Regulamento da Escola foram alterados. Enfim, a Escola de Educação Física da  Polícia Militar do Estado de São Paulo, pioneira que foi, prosseguiu a sua longa trilha  em favor da formação de pessoal na área de Educação Física.

• 1939, o Ministro Gustavo Capanema enviou ao Presidente Getúlio Vargas, em janeiro, o Projeto de Decreto-Lei para a criação da Escola Nacional de Educação Física e Desportos. Em sua Exposição de Motivos, Capanema referia-se, inicialmente, à obrigatoriedade da Educação Física nas escolas primárias, normais e secundárias, e que ela seria aconselhável em todos os estabelecimentos de ensino.
Ressaltava, o Ministro, a necessária formação de “professores instruídos, possuidores da ciência e da técnica dos exercícios físicos”, bem como a necessidade de “elevar o nível dos desportos em nosso país”. Afirmava Gustavo Capanema: “Em suma, professores de Educação Física, técnicos em desportos, médicos
especializados em Educação Física e desportos, tais são os elementos essenciais e  básicos de que necessitamos para desenvolver e aperfeiçoar entre nós a Educação Física e os desportos”.

• Período em que começou a profissionalização da Educação Física:
• Nas políticas públicas, até os anos 60, o processo ficou limitado ao desenvolvimento
das estruturas organizacionais e administrativas específicas tais como: Divisão de
Educação Física e o Conselho Nacional de Desporto.
• Os anos 70, marcado pela ditadura militar, a Educação Física era usada, não pra fins
educativos, mas de propaganda do governo sendo todos os ramos e níveis de ensino
voltados para o esporte de alto rendimento.
• Nos anos 80, a Educação Física vive uma crise existencial à procura de propósitos
voltados à sociedade.


• No esporte de alto rendimento a mudança nas estruturas de poder e os incentivos
fiscais deram origem aos patrocínios e empresas podendo contratar atletas
funcionários, surgindo uma boa geração de campeões das equipes Atlântica Boa
Vista, Bradesco, Pirelli entre outras.
• Nos anos 90, o esporte passa a ser visto como meio de promoção de saúde
acessível a todos manifestada de três forma: Esporte Educação , Esporte
participação e esporte de performance.
• A Educação Física finalmente regulamentada é de fato e de direito uma profissão a
qual compete mediar e conduzir todo processo. LEI 9696 de 1o de Setembro de
1998.


Divisões da Educação Física:

E.F. Higienista: até 1930 - a prática da EF é enxergada como necessária para a
saúde, a assepsia social e saneamento público, na busca de uma sociedade livre de
doença, através da disciplina escolar.
E.F. Militarista: entre 1930 – 1945 – nesta época a EF tinha o papel de formar
indivíduos obedientes e adestrados.
– O objetivo maior era o “aperfeiçoamento da raça” ou forjar “máquinas
humanas” por meio do desporto.
– Nesta época foram criados os grandes centros de cultura física, ginástica
olímpica, treinamentos especiais de artes marciais para o adestramento do homem para
as batalhas.
E.F. Pedagogista: 1945 – 1964 – uma nova fase da educação física que busca integrar uma disciplina educativa por excelência por meio da escola.
A Ginástica, a dança e o desporto são meios da educação do alunado com a
finalidade de ensinar regras de convívio democrático e de preparar as novas gerações
para o altruísmo, o culto a riquezas nacionais, etc.
E.F. Competitiva: pós 1964 – nesta época a EF é colocada como apêndice de um
projeto que privilegia o treinamento desportivo para o Esporte de alto nível.
E.F. Popular: após II guerra mundial – nesta época iniciaram as preocupações com
as reivindicações dos partidos populares e dentre elas entrou a EF em função da
ludicidade, da solidariedade e a organização e mobilização dos trabalhadores na
tarefa de construção de uma sociedade efetivamente democrática.

Breve Histórico da Educação Física Escolar
Mas, o que é Educação Física Escolar?
É um elemento do processo educacional formal, que tem como meio específico às atividades físicas exercidas a partir de uma intenção educativa, possibilitando o desenvolvimento das dimensões cognitiva, afetivo-social e motora de crianças e adolescentes através de exercícios ginásticos, jogos, esportes, danças e lutas. Uma definição de partida concerne à interpretação temporal do corpo que, pouco valorizado
no período medieval, reconquistou seu espaço no período renascentista, tendo o exercício físico denominado de ginástica desde o século XVIII, recebido maior ênfase na escola.
• 1423: A escola “La Giocosa de Mantova” foi estabelecida por Vittorino Rambaldoni da Feltre no norte da Itália, primeiro educador a colocar a educação do corpo no mesmo nível das disciplinas tidas como intelectuais.
• Século XVII: A Educação Física não era considerada como um aspecto essencial da
educação para ser tratado, salvo em raras exceções.
• Século XVIII: A Educação Física já era alvo de atenção à qual eram buscadas
soluções, apesar de que na maioria dos casos, as mesmas se fundamentassem em
mero empirismo.
• 1774: Johann Bernard Basedow (1723-1790), estabeleceu sua escola-modelo – Philanthropinum, em Dessau, Alemanha, onde a ginástica estava incluída no currículo escolar e possuía o mesmo status que as disciplinas intelectuais. Inicialmente, nessa instituição eram praticadas atividades originárias dos tempos medievais como a equitação, o volteio, a natação, a esgrima, a dança e os jogos,posteriormente, foram acrescentados exercícios naturais com o correr, saltar, arremessar, transportar e trepar.
• Século XIX: Foram observadas preocupações metodológicas do ensino da Educação Física, principalmente, na sua primeira metade, em vários países europeus. Certamente que este crescimento em interesse pelos problemas da Educação Física, em 1800, deu-se com base em experiências pedagógicas dos enciclopedistas, dos filantropos, de Pestalozzi, Fröbel entre outros. O desenvolvimento das escolas públicas alemãs para as massas aconteceu no século XIX. A Educação Física, e em particular a ginástica, passou a ser introduzida nas escolas públicas, com caráter obrigatório. Entretanto, a imposição legal da
obrigatoriedade freqüentemente não era atendida por falta de meios adequados para a sua prática e porque os objetivos pretendidos eram baseados em doutrinas com pouca fundamentação científica e orientação pedagógica, como também, metodologia inadequada.
Década de 1960: Período em que a Educação Física Infantil se fundamentou nas questões da psicomotricidade, com enfoque re-educativo e após, terapêutico. A psicomotricidade, além de incorporar, inicialmente, o mesmo paradigma da  Educação Física, através da ginástica, da dança, do jogo e do desporto, utilizou a primeira, através de diferentes grupos de exercícios, no diagnóstico de variáveis
físico-motoras ou no tratamento re-educativo terapêutico de crianças. Observa-se, então, que a psicomotricidade, como também, a Educação Física são utilizadas no âmbito da Educação Física Escolar numa perspectiva educativa. A Educação Psicomotora, vertente da psicomotricidade, é a ação psicológica e pedagógica que utiliza os meios da Educação Física com o objetivo de normalizar ou melhorar o
comportamento da criança.
• Décadas de 1960 e de 1970: Os estudos sobre a abordagem desenvolvimentista foram direcionados para a aquisição de padrões motores maduros fundamentais. Observou-se, então, um período normativo-descritivo nas investigações relativas ao desenvolvimento motor.
• Décadas de 1980 e 1990: O enfoque das investigações concentrou-se na compreensão dos processos subjacentes envolvidos no desenvolvimento motor, ao invés de se centralizar no produto do desenvolvimento. Observa-se, então, a contribuição de Esther Thelen e de Jane Clark e colaboradores na formulação da teoria de sistemas dinâmicos de desenvolvimento motor.
• 1996: A Lei 9.394/96 deu uma nova roupagem à Educação Física. O artigo 26 deste dispositivo estabelece que a Educação Física, integrada à proposta pedagógica da escola, é um componente curricular da Educação Básica e deverá ser ajustada às faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativa aos alunos dos cursos noturnos. Porém, apesar deste avanço a LDBE, desobriga a Educação Física e deflagra um movimento em vários estados de se por fim a disciplina de Educação
Física.
• 1998: A Lei 9696 é sancionada no dia 1 de setembro pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso, criando o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Educação Física e regulamentando a Profissão de Educação Física, publicada no Diário Oficial da União no dia 2 de setembro passa a ser de domínio público. No dia 8 de novembro, no RJ, é eleito o primeiro grupo de Profissionais de Educação Física, para gerir o CONFEF, presentes na plenária que fez a eleição um córum formado por 80 Instituições de Ensino Superior, pela Federação Brasileira das Associações de Professores de Educação Física e por 25 Associações de Professores e Profissionais de Educação Física.
• 1999: Criada a Comissão de Ética Profissional, em 14 de janeiro, pelo CONFEF, a fim de se iniciar as discussões para elaboração do Código de Ética Profissional em Educação Física.A Agenda de Berlim vem a público depois de uma reunião internacional com mais de 500 representantes de 60 países, convocada pelo
International Council of Sport Science and Physical Education – ICSSPE. Este documento listou os problemas comuns diagnosticados em mais de 50 países quanto à prática da Educação Física (pesquisa sob responsabilidade de Ken Hardman da Universidade de Manchester, Inglaterra). De um modo geral foi constatado um estado de retrocesso da Educação Física Escolar em escala mundial, em grande
parte devido a impossibilidade da escola e dos órgãos dirigentes da educação manterem adequadamente as atividades físicas e jogos nos currículos já saturados por demandas de novos conhecimentos.
• Século XXI: No início desse século, a Educação Física, sob o título de Ginástica foi incluída nos currículos escolares da Bahia, do Ceará, do Distrito Federal, de Minas Gerais, de Pernambuco e de São Paulo. Nesse período, a educação brasileira estava sendo influenciada pelo movimento que discutia a reconstrução educacional do Brasil, através de uma nova educação voltada para o desenvolvimento integral do
indivíduo. A Educação Física como meio para se alcançar o objetivo almejado seria um dos agentes de importância no processo.
• 2000: Decisão plenária do CONFEF em 20 de fevereiro homologa a resolução 025 que Institui o Código de Ética Profissional em Educação Física, construído no transcorrer de mais de um ano de debates democráticos e contribuições por especialistas.
• 2001: Como o artigo 26 estava gerando inquietações em relação à ausência da obrigatoriedade da Educação Física na Educação Básica, O CONFEF consegue a Lei n. 10.328, de 12 de dezembro de 2001, e introduz a palavra “obrigatório” após os termos “componente curricular” e ameniza tais preocupações, tornando a Educação Física um componente curricular obrigatório na Educação Básica (Educação Infantil, Ensinos Fundamental e Médio).

A Verdade sobre a Educação Física
Portanto, durante algum tempo, equivocadamente, acreditamos que os centros de atividades físicas e os complexos esportivos tenham surgido (especialmente no Brasil) na época militarista, nos quartéis, devido aos grandes preparos para as guerras e de onde tudo progrediu para a Educação Física atual voltada para diversas áreas na vida dos indivíduos.
Mas, na verdade eles surgiram há muito tempo atrás, mesmo antes de Cristo, em povos e culturas milenares, orientais e ocidentais, desenvolvendo-se lentamente até os dias atuais, em que permanece ainda em construção, recebendo contribuições e influências as mais diversas possíveis.

Bons estudos!!!!!